segunda-feira, 28 de maio de 2012

Papo de Revolucionário!

Acredito em Karl Marx. À medida que descobrimos as funcionalidades das coisas vamos nos descobrindo, assim, ao mesmo passo vamos humanizando o mundo e nos alienando nele. Nossa geração, nossa época vive uma intensa depressão filosófica – talvez um verdadeiro despropósito da existência. Nossos salvadores, pensadores, intelectuais e revolucionários fazemos uso de conceitos que tentam atingir um estado puro de virtude, atitude que intenta criar maquinas de guerra contra o colapso de possibilidades reais da realidade. O conceito-palavra “natureza” é a bola da vez.  

O que é natural?
Certo que a intervenção humana atinge diretamente os sistemas integrados do meio já equilibradamente estabelecido, porem, o homem não é um ser natural? Nossa superelevação na realidade cósmica não apenas deve como têm uma perspectiva, uma direção coesa com a tentativa consciente de auto-preservação da vida. Evidente que não estamos em um sentido bem claro dessa “lógica”, entretanto um vulcão também pode parecer fugir da orbita puritana da preservação. Imbuídos da nossa infinita mediocridade vamos realizando observações megalomaníacas sobre o futuro, e, factualmente domos pouco espaço para a reflexão do uso e direção das ferramentas que acreditamos serem como “bolas de cristal”. Que quer dizer natural finalmente?

domingo, 20 de maio de 2012

Inversa Solidão

Tá tudo longe, lá fora
Durmo
Durmo agora para mais tarde
Amanhã, acordar enquanto todos dormem.

Dorme noite minha, dormia tu
e todos que dormem nela
agora
em seu descanso, prezado e justo
Dormem para amanhã acordar.

Sonatas de Bach.
Silêncio mortal da noite que passa
forte
Dor no peito, que adornos têm meus pensamentos?
De que me defendo?

Agora que acordei e todos dormem
Agora, que acordei e todos dormem
Agora que todos dormem,
Nesse domingo
Eu acordei
Para desafiar o mundo, seu silêncio
Sua paz
Sua calma fria
Seu manto púrpura negro
Seu vazio
Caio dentro da minha própria árvore,
E durmo
para poder acordar.

Navegar é Preciso!
Viriato Sampaio

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Dia de Ontem


Hoje eu quero escrever. Hoje me deu vontade de escrever. Hoje me deu vontade de sentir o que, há muito tempo eu achava que havia morrido em mim. Sim, definitivamente morrido. Meu oposto me diz que eu tenho que voltar a agir como adolescente para entender onde perdi o fio da meada, e decididamente, inesperadamente e principalmente, inconscientemente, foi o que eu fiz ontem. Parece sim que voltei aos meus 17 anos... onde eu esperava que o homem tomasse a atitude, ficasse sem jeito quando ele me elogiasse, preocupada em mostrar “algo mais” além do estereótipo. 

Realmente ontem eu experimentei algo que há muito não presenciava. Talvez essa nova geração nem saiba do que estou falando, mas quem é da “minha época” sabe o que é ser cortejada. A educação, sutileza, o brilho nos olhos, o simples gesto de abrir a porta do carro... Não sei vocês, mas eu ainda quero isso pra mim.

Apesar de estar escondido no mais profundo e obscuro espaço do meu ser, o que vivi ontem foi mais que mágico, foi surreal. Foi necessário para que eu entendesse e descobrisse que não posso viver apenas de razões e lógicas. Às vezes é preciso sonhar para viver a realidade.

Agora eu não sei o que vai acontecer. Sei que as coisas mudaram, de um pequeno insight revela-se o desejo. Pode ser que tudo volte a normalidade, ao comodismo, mas se a porta ainda não abriu, a janela possibilitou que a luz propagasse naquilo que eu achava ser um “recipiente vazio”.

Vivian Nova


Um texto indefinível a pessoa visível ao mundo, Vivian dá um passo a frente de qualquer pensamento -  faz uma veia direta para o sentimento, um dialogo que rasga toda alma do nosso tempo... o que dizer se não:

 - Que venham as próximas palavras, frases e dilemas Dona Vivian! 
    Agora você também é poeta desse portão! rá!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Pensando hipoteticamente


Se acaso a experiência do homem, macho da espécie humana, encontrasse em um lapso de percepção uma direção mutante a sua atual atitude sexual, se acaso ele percebesse seu ridículo papel de consumidor do sexo, se acaso dentro de sua ebulição animal este mesmo se jogasse no abismo conflituoso do libido subjugando-se para tentar admitir um novo pulsar, uma nova conduta na direção da alma feminina, se acaso isso acontecesse repentinamente  este sujeito conseguiria fazer tal transição?

Essa nuvem me trovejou os ouvido ao mesmo passo que tive uma visão. Eu vi uma menina! Disfarçada embaixo te panos escuros, sapatos finos e altos que torneavam suas coxas, compreendida acima de um vestido que contava um palmo acima dos seus joelhos. Lá estava ela de maquiagem preta, sobras, unhas vermelhas, olhar insinuante, pele bronzeada, seios moldados por uma coisa redonda, calcinha finíssima e bem desenhada, sobrancelhas arqueadas sobre um olhar penetrante e uma mãe muito feliz ao lado.

Extraordinariamente pude ver essa menina. Apesas de toda sua indumentária voluptuosa e seu desejo de reconhecimento, apesar do seu fino ar de burguesia, do seu corte de cabelo rente, ainda assim sobrava insegurança na sua fronte suave e delicada. O seu erro mais gritante era a sessão livros infantis que freqüentava. Apesar de todo charme lá estava ela segurando Alice, certamente uma figura tão provocante não estaria deliberadamente ali, ao menos não as 15:00 horas de uma tarde de quarta-feira, bem na hora do experiente.

Admitindo meu fino preconceito tive a idéia retumbante de ir lá. Certamente poderia me ficar a duvida se não fosse. Minha filosofia encontrou quase 14 anos de pura modernidade, apenas uma pergunta – 14 foi a resposta, melhor faço 14 em Novembro.  Nada mais poderia dizer, desolado pelo acontecido caminhei para a mesa e para o café. Que pode fazer um homem contra sua natureza? Que pode ele resistir? Não existem mais meninas, nada de bonecas, nada de cabelos rebeldes e sandálias rasteiras – muito pouco sobrou para escolher, tudo agora parece presa para o velho instinto de caça.

Agora me pergunto: Com o que as feministas brigam tanto?

Navegar é Preciso!
Viriato Sampaio

sábado, 28 de abril de 2012

Maria

Maria,
Tu ouviste o que pretendo
O tanto que digo, tanto  
Digo tanto
Tanto
Tanto que talvez até
Até talvez
No tanto, o que ainda ei de entender!
Ouvi
Ouvi de você

Maria, o que devo?
O que sou?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A Noite de HOje

A solidão que some quando escrevo é a mesma que pega o centro da noite em qualquer quarto de hotel?

 È possível que já não sinta mais essa intenção firme de mudança? afinal posso mesmo devir outra pessoa ou coisa em mim?

Tabaco e Cafeína alimentam a fome da noite – pessoas quase não têm asas por aqui. Na linha branca desfilante no ar, coreografia da fumaça que continua a marcar o tempo e o espaço.

Mastigo palavras confusas com a real possibilidade de exprimir alguma coisa solta sobre a orbe plana da mesa, a mesma que uni o efeito inteiro do café e a translucida calma da erva – penso.

Sem revolta entendo que todos que “pensam” estão sozinhos, que o mundo das pessoas se protege desse ato solitário, pois, uma vez a questionar já se descobriu a trilha secreta do suicídio. Isso até parece loucura ou talvez seja o tal fato óbvio da nossa tão valorosa estima por nós mesmos – humanos.

Calmo, agora espero o vento da cidade. Mucugê, espero outro vento soprar também. Espero que sopre a fumaça entrelaçada no despertar negro com a translucidez – espero que um nada aconteça no mesmo instante que aguardo o fitar dos olhos dela.

Navergar é Preciso 
Viriato Sampaio

Meninas da Vila

Meninas
Já estou tão longe das noites
Que fazem vocês com o vinho?
Existe tanto rigor no que escolhe, vocês
Querem ter o mundo em suas saias

Meninas
Das voltas que as manhãs dão, dão certo
Certo que o sol não lhes queima, nem tenta
Na força que há em suas curvas, mentira
Que tão sérias são suas siluetas, mas ninguém nota

Meninas
Escolhemos cada passo e a vida
Esta vinda que tem em suas sandálias de entardecer
Arrasta o pó da vila por cima dos dedinhos de criança
Que fazem vocês com vinho?

Meninas
Cada nota do seu cantar faz um aprendizado
Aprendo tanto, mas tanto, mas tão pouco de ti
Que essa amizade que voa, voe subindo a montanha
E que a montanha se espelhe em ti.

Meninas.

para Aila e Liz

Navegar é Preciso 
Viriato Sampaio