domingo, 21 de dezembro de 2014

MONTANHA DE FERRO

I.

Meu corpo é o efeito
                   das ligações entre ferro,
                   aço e outros metais.

Forjado sou para resistir
ao realismo
   do mundo.

Meu coração é uma trova.

Peito no centro orbital,
                                  uma fala
                                  pulsante.

Fôrma dos cavalos de guerra.
Turvo em galopes surdos,
      cavalgadas dilacerantes
                            rumo
                            a marcha

na fenda da realidade, destino da pólvora,
                            lenta pólvora,
                            lenta,
                            mas explosiva.

Sozinho, invoco duros uivos
                    trafegantes da fome de sinergias escritas, e
    
sobre o medo,
Tenho fendas enormes.

Usinas de coisas etílicas
       de fumaça branca,
não cinza,
                 branca
discórdia de bem querer.

Que sou eu?
e porque?



 II.

Já aterrorizo por contato, pois
O fio,
capa de aço,
           reconvexo ao tronco de mim, fere
           um dos seus sentidos, que, e apenas mais tarde
                                vais descobrir.

                                descanso.
O nada tem há dizer da minha
                         Voz.

A fé me compreende
na fome,
me devoro letra por letra.
Eu sou o exu!


Meu corpo chora as paixões do mundo
                   nas tarde de maio
vazias de sentido, sem qualquer
                   um qualquer sinal de liberdade.

Dentro do meu espaço material,
Tenho mais vicissitudes que as terras virgens.

Não tolero,
   Trovejo,
    no gozo
           vivo o escárnio para com a media
                                      moral
                                      burguesa.

Que mau me assola?
De que matéria insólita forjo meus membros?
Sou todo o erro dos mil desejos reprimidos, soltos por um cantar,
uma voz
de onde 
almas condenadas soltaram seu ultimo tom pálido de desespero.

Pois,
Então,
Pouco tempo antes do primeiro choro,

Posso dizer que meu corpo passou pelo mundo.
                               Mas o mundo,
Passa pouco por onde eu corro,
Passa pouco por toda circunscrição tardia
                      da liberdade humana
Passa pouco por minhas madrugadas além da rua
                                       na janela

De onde fumo e escrevo
De onde sai meu conto
                no obscuro, no infinito,
                eu existo

                Mas não desejo seu perdão. 





Navegar é Preciso!
Viriato Nova

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Imagens da Felicidade.

Em alguns dias de chuva fica determinada a preguiça. Sentado frente a tela, onde a luz expressa poesia para quem de longe pode ver, passo a folhear as paginas da rede como se fossem uma porta aberta para um futuro que nunca vi.

Às vezes um rosto me motiva. Quem será aquele rapaz, vinte de dois anos, óculos escuros brilhando o céu azul da cidade do rio de janeiro? Quantas coisas poderia aprender com ele? Quantas coisas poderia ver se o conhecesse?

A rede é todo um universo de possibilidades de mim que são apenas possíveis sem a realidade. Mas, ainda sem a realidade, posso ser todas as possibilidades reais de mim. Esse rapaz reside em um endereço, onde são ditas coisas, coisas são codificadas em linguagem multiforme de imagens, palavras e símbolos. Se tudo viesse a se tornar maior que eu ou ele – viria o devir de tudo como um brilho de sol ante a escadaria do cristo redentor, frente a imagens azul das praias do Rio como a foto em seu perfil. Mesmo que a foto seja uma mentira.

Quando existir tudo menos real do que o dia a dia e um sopro de possibilidades for fortes e pulsantes ante a verdade de acordar toda manhã  - dar-se-á assim ao mundo o direito de enxergar ele mesmo maior que o dia de ontem.  Então poderei viver como se todos fossem realmente capazes de serem meus amigos e companheiros.

Resta apenas o acreditar, pois tudo isso já foi esquecido pela ganância e pela estupidez de “ser feliz”. Fossem todos mais imagens inspiradoras na rede talvez o mundo seria um lugar melhor para viver.


Navegar é Preciso!
Viriato Nova 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Demasiadamente Tempo.

Que será o tempo?


Ocorre que no ato de compreender do homem, na sua mente, determina-se um filtrar de minutos, coisas que findam e passam, feitos velozes, ações invisivelmente indefinidas. Feixe de qualquer coisa acontecida, pacotes de informações interligam tudo que virá a acontecer. Isso é memória. Não um saudosismo piegas, nem tão pouco um simples conforto de autopiedade - como uma lembrança fixa de si. Mas sim, e é muito provável, que o tempo na memória - seja tão vago como uma lacuna, um vácuo de nada, uma bola cintilante de coisa alguma - pois "eu" que sou hoje, apensar do fato obvio de ser, nada posso sem a discrepância do que nada é. 

Quero dizer:

Me lembro de tudo que erro, pois já errei antes. Não sei se falo de toda poeira cósmica, as quais fundiram os planetas em centros ferroso sólidos ante uma liquida e profunda camada de matéria quente que fazem girar os campos magnéticos fazedores da vida. Afinal, nada seriamos se não fossem eles e tão pouco somos coisas alguma diferente dos mesmo átomos e de toda matéria daquele "tempo". 

Sei que fui criança e provei o gosto amargo de ficar doente ante todo o sol e céu azul do verão - enquanto todos dançavam a dança da vida sobre o chão enferveceste do agora. Antes do agora havia a pedra, havia o limo da pedra, havia o fungo, as bactérias e a falta de anticorpos do meu corpo fúnebre estendido no chão - ele adoecia e pouco sabia.  


Mais de uma viagem temporal, mais que uma lembrança - uma existência. Talvez aqueles que não pensem, não gozem, não adoeçam, não sejam verdadeiros, não falhem, não assumam os erros também não fiquem velhos nunca. Talvez eles ou estes não tenham memória mas apenas lembranças. 

Confesso que não é confortável o ato de memoriar as coisas. A dor de ingerir e de translucidar no mundo aquilo que existiu e se transformou, abre uma fenda incorrigível em todos que ousam transar com essa radicalidade. 


Mas já que o próprio feroz galo passeia pelo chão quieto - e pouco sabe o que faz entre as coisas - será que não seria memoriar, o ato de construir o futuro, de tecer a ponta do tempo com as próprias mãos, tirando assim o peso das costas de deus ou do apocalíptico acaso?

"Que faço entre as coisas?

  De que me defendo?"

Lembrei que o amor é bom, 
Lembrei que já fiz de mim o risco de viver, 
Lembrei de um beijo, de uma dor no peito que não cura por nada que possa fazer calor ao corpo, 
Lembrei de ontem que fui honesto, 
Lembrei de hoje que isso não faz diferença alguma
Lembrei que o tempo não manda recado para o futuro e para as pessoas perceberem o que de fato ficou,
Lembrei que ter valor, ter ombridade, ter aceitação pelo mundo das coisas e das pessoas é perda de tempo
Lembrei de um tempo chulo e mais vazio que o vazio que o tempo é ....

Agora, o que queria eu dizer mesmo?

Tempo?


Navegar é Preciso!
Viriato Sampaio

terça-feira, 13 de maio de 2014

Isso já foi dito

Para: Marcos Improta

Meu amigo,
Domingos são assombrosos.
                     glacialmente moralistas!

Mais porque duvidastes antes de ter a tal presença mundana?
                que demônio torpe,
                 voz lasciva,
                       lagrima, barulho de cortina,
                       que latido de luz apagando foi te dizer – falar sobre

Esse fato, obvio
        Fato fétido do mundo?

Sim, Domingos recatados são,
                     preparados são,
Mas não para o povo,
       ou para o mundo.

                           Domingos são moribundos nos últimos suspiros
de quem urge, anseia pela necessidade de estar só.


Tenho medo do mundo que virá a ver os olhos refletidos,
                                              no espelho do banheiro
              quando ela saca o batom, ela levanta levemente
                              saca o batom, depois de se despedir
                              saca que estou te olhando
                        e ao sacar leva aos lábios
                        um olhar no reflexo no espelho.

Vermelho,
era a ultima gota do cinismo do mundo.

Meu amigo,
Domingos são assombrosos!


Navegar é Preciso!
Viriato Nova

               

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Sentinela do tempo

Queria escrever o que não digo ao olho nu.
Mas, as caras que cultivo, os terços de tarde,
                                                são todavia
                            mentiras sobre adaptação.

Mau sabe eu que você sonhou em ter alguma coisa nova,
                                        pasta de recados do futuro,
                                                                      
                                                                      nova  
                                         pasta  
                                                                                                                                                                recados      futuros.

Quero pouco saber do que não sei,
                                    o querer não me basta,
                                    mas o saber me consome.


Existe o passado, a água que não rola,
O presente do sucesso,
                    um susto e cesso o vir a ser.
                                                      Porque?
                                    “de que me defendo?”


Saber quero o que não entendo,
O que vem a ser esse engodo de mim?
Essa nuvem que não passa
Essa coisa, verbo tempo,  traqueia estreitada,
                                                   uma dor? 
                                                   A estrada deserta que convidativa ao longo dos quilômetros a talhar o vento, pode ser um eu qualquer, que por ventura é também ir sem ter para onde? 
 
Nem tudo é tempo,
Nem tudo é solidão,
Nem tudo temo,
Mas a vida, a vida

                     a vida não?


Navega é Preciso!
Viriato Sampaio

domingo, 29 de setembro de 2013

Vestes de Domingo.

Tudo que quero é um domingo no parque,
Todas as falsas impressões que me ensinaram, a infância 

Tardias tardes de sol, os brinquedos a céu aberto
                                  e os infinitos desconexos. 

                                     sobre tantas mentiras verdadeiras

                                     sobre a falta do que fazer, hoje

                                 Demoro no esquecimento do que foi, do que fui, do bonito vestido vermelho de Dinorá. 

Vestes de domingo,
Vermelho de bolinhas. 
              Sobre o céu de saturno, 
              o vento leva as desilusões de milhões, 
                                                       milhões de átomos, pessoas
Que pouco sabem porque vieram, para onde
                                    vieram, se há o porque acordar hoje.

Toda felicidade do mundo em musicas de enxofre
Todos sorrisos por entre roupas velhas 
                                  hábitos moribundos,
                                  rezas, foguetes, santos 
                                  guloseimas pecadoras... tantas, tantas 
contradições que até tonto estou. 


Se nada mudou de ontem, então, porque me perguntas se vou bem?
                                                                             se não vou
                               posso ao menos saber porque antes de dizer?

Ainda vai piorar muito, 
Antes do entender, que, 

                               Domingo são assombrosos. 


Navegar é Preciso!
Viriato Sampaio

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Segunda-feira, 02 de Setembro.

O globo terrestre se movimenta, todos os dias o universo expande, e, em meio ao tumulto dos astros, é possível que a vida humana tenha pouca importância.

Os carros andam,
As avenidas esquentam o final do inverno, a Bahia
                                                          Existe.

Enquanto meninas e meninos brincam de sexo, e
todas as horas de um dia, homens
                                     mulheres
                                     lutam pela casca morta que lhes cobre, pela lataria que move seus corpos, pelo papel que trocam suas necessidades – crianças fazem vida em suas barrigas.

Não sei se entendi, mas crianças fazem crianças.
É disso que se trata, não da educação
                                     ou da televisão
                                     ou sedução
                                     muito menos de evolução, civilização e paradigmas modernos.

Eles dilaceram o que poderia ser ordem, mas não por rebeldia, e sim
Por que é "bom" – e as minas pira, mesmo fora do dialeto. 

A aspirina preta já está no mercado,
A poesia fica escondida nas sombras de portões durante o pôr-do-sol.
                                                                   Quero sair da cidade,
Mas a luta,
      a luta,
parece ficar para trás.

Uma anestesia é preciso, porque correr rápido demais também é pecado. Fico pensando nos tijolos, blocos de construção. Ninguém quer fazer sua própria casa, seu próprio lar. Pessoas enlatadas, plástico nas veias, asfaltos no juízo, sol apenas para tomar cerveja.

Retiro meu ímpeto para a montanha.
A propósito.

Espero que tudo fique bem por ai. 


Navegar é Preciso!
Viriato Sampaio